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segunda-feira, 28 de novembro de 2011
O candeeiro
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
O Horário

quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Vila Mariana

O bairro da Vila Mariana vive uma evolução imobiliária espantosa. Comercialmente cresceu bastante. Lugares pacatos viraram uma efervescência só. Muitas moradias sucumbiram às ofertas das empresas construtoras, que num abrir e fechar de olhos erguem prédios e logo acenam com fachadas modernas criando verdadeiro chamariz atraindo compradores.
Ruas que outrora formavam fileiras de casas, jardins e tranqüilidade perderam referência com a transformação em um novo cenário feito de espigões.
Na França Pinto prédios despontam empinando-se, exibindo a imponência da especulação imobiliária, demonstrando poder a qualquer custo. A paróquia de Santo Ignácio em pouco tempo terá seus momentos de liturgia e paz perturbados, sacudidos por bate-estaca e outras inconveniências que as grandes construções acarretam ao local tirando-lhe a calma.
A Vila se estruturou bem; restaurantes, lojas, supermercados, faculdades várias e pequenos bares vão surgindo, transformando-se em points de universitários numa constante ebulição. Não deixa de ser agradável conviver nesse trecho da cidade, embora como em outros lugares desenvolveu características negativas próprias das metrópoles e centros urbanos.
Já adotei São Paulo como minha segunda terra. Paixão inquestionável, amor conquistado nos trinta anos de convivência na rotina e cotidiano, muitas vezes tumultuado, estressante, mas incorporado amavelmente a minha vida.
E nesse paradoxo escuto o bem-te-vi; com aproximação da primavera disparam a cantar forte, estridentes, como anunciando boa nova. O canto fez me lembrar um poema de Manuel Bandeira:
ANDORINHA lá fora está dizendo:
-“Passei o dia à toa, à toa!”
Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!
Passei a vida à toa, à toa...
quarta-feira, 20 de julho de 2011
Maranhão

O pesado frio que estancou sobre esta cidade semanas atrás levou-me a buscar refúgio nas lembranças prazerosas da minha terra, sem deter-me no lado obscuro do clã usurpador que age como se fosse donatário de capitania hereditária.
Em agosto dá-se o inicio do estio no Maranhão. As chuvas volumosas que causam danos, estragos à região cessam para ceder lugar ao sol e ventos muitas vezes desafiadores, nada propícios a navegar ; outros dias chegam feito aragem: brando, ventando suave, fagueiro entre coqueiros e folhagens. A paisagem desbotada pelas sucessivas chuvas revigora-se; uma celebração duradoura da natureza exibindo exuberância aos olhos do visitante. É o verão assim conhecido por lá. O Maranhão encontra-se muito próximo à linha do Equador, beneficiando-se de um bom clima sem agruras dos invernos gelados. Situa-se entre o Norte e o Nordeste, o que o fez assimilar costume, tradição, das duas regiões, mostrando características visíveis da região amazônica com florestas cortadas por rios, igapós, sobressaindo frutas nativas: bacuri, murici, cupuaçu, juçara, buriti entre outras exóticas para os estrangeiros. Saborosas em cremes, sucos e doces.
Sob influência indígena, africana, portuguesa, nasceu a cultura do Maranhão, e dessa miscigenação a culinária extraiu sua essências na diversificada mistura de gostos, hábitos, temperos, condimentos e ervas, aliados à contribuição sírio e libanesa. O litoral maranhense tem vasta opção. Escolhas variadas de peixes e frutos do mar proporcionando composição de bons pratos e sabores que agradam satisfazem o turista, como o arroz de cuxá servido com as tortas de camarão ou caranguejo, ou sururu, ou então saboreado com peixe frito, que gostoso! Embora seja suspeita em opinar, recomendo ainda o vatapá, caruru e demais comidas regionais que surpreendem quem imagina uma culinária restrita.
São Luís é uma ilha. O centro histórico da cidade tem uma arquitetura talhada no molde português: casarões, sobradões, azulejos, mármores, registram a permanência do colonizador. Um conjunto arquitetônico bonito, porém mal conservado pelo poder público.
Em junho irrompem as festividades do folclore da terra. Resplandece o bumba--boi, espetáculo tradicional bastante conhecido. O enredo centrado nas figuras de Catirina, o boi e pai Francisco movimenta-se entre toadas, diálogos e coreografias, introduzindo personagens, dando dimensão à história. O brincante, rajado de fitas, solta a voz balança o corpo no ritmo do sotaque; sacode o maracá, deixa alegria fluir entre um gole e outro de cachaça. O boi cintila: lantejoulas, canutilhos, paetês transformam o couro bordado a capricho em uma obra de arte.
O tambor de crioula apreciado o ano inteiro é também destaque turístico. As mulheres dançam livres sem técnica, descontraídas, enquanto os homens tocam. Saias coloridas rodam levadas pela magia dos tambores e das cantorias. No auge surge a pungada: num gesto rápido, ligeiro, encostam barriga com barriga chamando dessa forma outra parceira para entrar na roda. A origem do tambor remonta aos escravos, louvavam e agradeciam São Benedito pela graça alcançada. Tem ainda a festa do Divino Espírito Santo, o Congo, muitas brincadeiras, manifestações folclóricas do Estado, que contribuem para enriquecer a cultura popular do país.
Encerro com alusão ao guaraná Jesus, tipicamente maranhense, lendário na tradição; um farmacêutico criou a formula e deu o seu nome a esse refrigerante de cor rosa e forte sabor de infância. Marcante nos aniversários, batizados, casamentos, festas, compartilhou gerações. Borbulhava deliciando a criançada. Permanece atrativo, atraente ao jovens, meus netos que o digam.
Neste breve apanhado de descrições juntei uma compacta alegoria de imagens, cores, dança, emoção e prazer.
sábado, 9 de julho de 2011
O frio deste inverno
terça-feira, 24 de maio de 2011
Brisa e Faísca

terça-feira, 8 de março de 2011
Maria Firmina dos Reis

Apesar de ser considerada por alguns autores como a primeira romancista brasileira - seu livro Úrsula é de 1859 - pouco se sabe da vida desta maritalmente bastarda e negra.
Nascida em São Luís (1825-1927) disputou em 1847 uma vaga para a cadeira de professora de primeiras letras em Guimarães.
Orgulhosa com a vitória da filha, a mãe alugou um palaquins - espécie de cadeira carregada por dois ou mais escravos - para que fosse receber o documento de nomeação.
Revoltada, Maria Firmina recusou, afirmando que o negro não era animal para se andar montado nele!
Contrária a escravidão em suas atitudes, também usou os seus escritos para denunciá-la.
Acreditava que a escravidão contradizia os princípios do cristianismo, que ensinava o homem a amar o próximo como a si mesmo.
Via o escravo como uma pessoa digna, capaz de sentimentos nobres mesmo tendo vivido tantos anos sob o regime degradante do cativeiro.
Seu livro Úrsula pode ser considerado o primeiro romance abolicionista escrito por uma brasileira; colaborou ainda na imprensa local com poesias e contos; escreveu um livro em comemoração ao 13 de maio, além de ser autora de vários folguedos.
Aos 55 anos, um ano antes de se aposentar do magistério público oficial, fundou em Guimarães uma escola mista e gratuita para crianças pobres.
Como professora era enérgica, mas falava baixo e não usava castigos corporais.
Quem se lembra dela, na casa dos 80 anos, fala da velhinha negra de cabelos grisalhos, amarrados atrás da nuca, vestida de roupas escuras e sandálias.
Apesar de pobre e solteira, teve alguns filhos adotivos e inúmeros afilhados.
Faleceu cega, aos 92 anos de idade, na casa de uma amiga ex-escrava, e até hoje em Guimarães "a uma mulher inteligente e instruída chamam: Maria Firmina!"
FONTE: Morais Fº. Nascimento, Maria Firmina dos Reis: Fragmentos de uma vida. São Luis, S.C.p., 1975
