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terça-feira, 24 de maio de 2011

Brisa e Faísca



        Brisa e Faísca, que dupla! Em determinadas horas vivem a literal relação cão e gato entre latidos, miados  e rosnados desferidos um contra o outro num clima de hostilidade e desafeto sem fim. Ela, nervosa fora do eixo; ele, lampeiro extravasando incessante energia. De repente, vem uma calmaria inesperada no estilo paz e ternura, deitados lado a lado, entregues ao descanso e a trégua momentânea.

        Brisa é uma cadelinha lhasa mais ou menos; segundo os entendidos está mais para mistura com maltez do que lhasa propriamente dito. Sendo assim um pedigree meia boca, detalhe, apenas. Nada lhe altera a docilidade, a alegria com seus pulos e o rabo abanando euforicamente cortejando aqueles que estima. Fácil conquistá-la. Bandoleira, cativa o mundo.Também tem momentos de total rabugice latindo cismada, imaginando um companheiro em seu território pleiteando o seu espaço. Late compulsiva, perdidamente até alguém acudir aos apelos. Nutre por sua dona, minha filha mais nova, veneração das maiores numa fidelidade ímpar.

        Já o Faísca, o tal Faisquinha, é um caso sério, seríssimo. Filhote de gato nos seus cinco meses aproximados. Dá para imaginar o que um gatinho nessa idade é capaz de aprontar? Cara de bonzinho e tão danadinho... Inicialmente enjeitado miando na rua, tiritando tremendo, prestes a sucumbir caiu de para-quedas aqui em casa. Não se tinha interesse em aceitá-lo, mas comoveu os moradores. Sentindo-se aboletado, bastou para exibir a peraltices que os felinos trazem naturalmente no instinto. Formas diversas de adaptação e de sobrevivência no ambiente em que vive e convive. Ágil em correr, subir, pular, caçar, despencar das alturas, esconder-se nos inimagináveis e absurdos lugares, ou acomodar-se confortavelmente às vistas de todos numa pose de bibelô sui generis. As crianças o carregam feito um mimo que ele retribui felicíssimo rorrosnando, sentindo o afago das pequenas mãos que o acariciam.

        Ah, para incrementar as estripulias do Faísca descobriram o sósia do malandrinho, a semelhança não é pouca, confunde. Já o devolveram em casa várias vezes tomando-o pelo Faísca fujão, perdido e sem rumo. Acaba se tornando engraçado. Ao sósia pelo visto não agrada ser só: escapa de sua morada, foge, dribla, some vagueia para depois retornar a condição de sozinho.

        De resto é esperar o tempo apaziguar a pinimba da dupla. Cada um no seu lugar sem interferir no domínio do outro. Até lá muitas águas vão rolar.