
A praça principal da cidade transformava-se no
reduto do Momo, entrosamento perfeito entre blocos, mascarados, fofões, tambor
de crioula e dança do congo. Ritmos populares combinavam-se com marchinhas,
sambas, marcha-rancho; cantigas folclóricas misturadas à frenética alegria que
jorrava dos foliões nos quatro dias intensamente carnavalescos e
participativos.
O salão do baile era colorido, decorado
por mãos engenhosas que criavam formas alegóricas de papel crepom, dando um
toque animador e convidativo para festejar. Confete, serpentina e lança-perfume
cruzavam-se em um clima de romantismo; flertes e namoros pairavam entre os
casais. A orquestra afinadíssima com os sucessos do momento emendava pout-pourris
de tirar o fôlego dos dançantes; pelas fantasias buscava-se surpreender com os modelos
e a originalidade.
O tempo fluía célere, e imperceptível
passavam os quatro dias. A terça-feira irrompia com cara de despedida; à meia
noite os músicos sinalizavam o fim do baile ao som do nostálgico Zé Pereira.
Minutos prolongavam-se e os foliões resistiam até extinguir o último acorde do
último instrumento musical. Assim finalizava definitivamente o carnaval. Com a
quarta-feira de cinzas abrindo o ciclo da quaresma, a pequena cidade retornava a
sua vida pacata.