Em certas agências bancárias a
fila da terceira idade não passa de ridícula piada de mau gosto. A prioridade da
qual dispomos não se trata de nenhum favor, mas de um direito adquirido, que não
parece ser levado a sério. Prolongadas demoras submetem-nos a uma provação de tolerância, paciência e
resignação. Sentados ou em pé, os idosos experimentam o exaustivo desconforto
da espera do atendimento.
No início do mês, período que coincide
com o pagamento de aposentadorias, pensões e outros benefícios, juntando-se aqueles que carregam a missão das contas dos
familiares ou empresas para quitarem débitos, o acúmulo fica maior. Todos a
mercê e dependência de um único e exclusivo caixa destinado ao idoso. O problema seria simplificado com a
disponibilização de mais um guichê, facilitando a vida de senhoras e senhores
nessa entediante espera. Uma hora é muito! Vira desrespeito, segregação. É
comum, corriqueiro, ver quatro, cinco caixas todos agilizados voltados a serviço dos demais clientes.
Imaginem os lucros arrecadados
pelos bancos com o contribuinte da
terceira idade, incluindo empréstimos consignados à base de exorbitantes juros,
que somente agora dão trégua, baixando por determinação do governo federal.
Ainda é necessário descer mais, aliviar o bolso dos menos favorecidos.
Os idosos não querem, nem desejam
esquentar cadeiras em agências bancárias como se invisíveis fossem diante das sucessivas
repetições de indiferença. Vão ali para tratar e resolver negócios, até porque
o banco é um estabelecimento de comércio para transações comerciais.
A terceira idade nos dias de hoje
vive antenada, adaptada à realidade do mundo atual com suas mutações e
transformações. É produtiva, tem projetos, sonhos, se liga nos noticiários, na internet, cultiva vitalidade, se exercita, redescobre a paixão. Conhece a
sabedoria e serenidade que a maturidade oferta.
Essas senhoras e senhores, desbravadores da vida, pioneiros e protagonistas do seu próprio enredo e história são antes de tudo cidadãos.
Essas senhoras e senhores, desbravadores da vida, pioneiros e protagonistas do seu próprio enredo e história são antes de tudo cidadãos.
