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domingo, 24 de junho de 2012

Próximo!



Em certas agências bancárias a fila da terceira idade não passa de ridícula piada de mau gosto. A prioridade da qual dispomos não se trata de nenhum favor, mas de um direito adquirido, que não parece ser levado a sério. Prolongadas demoras  submetem-nos  a uma provação de tolerância, paciência e resignação. Sentados ou em pé, os idosos experimentam o exaustivo desconforto da espera do atendimento.

No início do mês, período que coincide com o pagamento de aposentadorias, pensões e outros benefícios, juntando-se  aqueles que carregam a missão das contas dos familiares ou empresas para quitarem débitos, o acúmulo fica maior. Todos a mercê e dependência de um único e exclusivo caixa destinado ao idoso.  O problema seria simplificado com a disponibilização de mais um guichê, facilitando a vida de senhoras e senhores nessa entediante espera. Uma hora é muito! Vira desrespeito, segregação. É comum, corriqueiro, ver quatro, cinco caixas todos agilizados  voltados a serviço dos demais clientes.

Imaginem os lucros arrecadados pelos bancos com  o contribuinte da terceira idade, incluindo empréstimos consignados à base de exorbitantes juros, que somente agora dão trégua, baixando por determinação do governo federal. Ainda é necessário descer mais, aliviar o bolso dos menos favorecidos.

Os idosos não querem, nem desejam esquentar cadeiras em agências bancárias como se  invisíveis fossem diante das sucessivas repetições de indiferença. Vão ali para tratar e resolver negócios, até porque o banco é um estabelecimento de comércio para transações comerciais.

A terceira idade nos dias de hoje vive antenada, adaptada à realidade do mundo atual com suas mutações e transformações. É produtiva, tem projetos, sonhos, se liga nos noticiários,  na internet,  cultiva  vitalidade, se  exercita, redescobre a paixão. Conhece a sabedoria e serenidade que a maturidade oferta.

Essas senhoras e senhores, desbravadores da vida, pioneiros e protagonistas do seu próprio enredo e história são antes de tudo cidadãos.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Retalhos

A temporada outonal parece desfrutar o ápice dos dias bonitos. O sol anda cheio de afagos dourando a cidade. Temperaturas amenas espalhadas por todos os lados. Trégua para enchentes e temporais. Períodos de paz;  pena que seja somente períodos.

Céu de um azul sedutor. Céu que furta do arco-íris a cor;  mistura contraste, desmancha, resvala, cai em degradê suave. Nuvens esgarçadas emendam pedaços, retalhos, e em debandada pelos caminhos dos astros e galáxias vão criando bordados.

O outono surpreende: nem cinza, nem triste:  belo. Folhas amarelas se despreendem de leve, beijam o chão, adormecem.

Uma diva e sua canção: "Estrada do Sol", Dolores Duran. Roubo um verso, transcrevo o momento mais que oportuno: "Me dê a mão vamos sair pra ver o sol"...