
A zona de convergência de que tanto falam meteorologistas nos noticiários, pelo visto deve ser a grande vilã das catástrofes que vem assolando nossa gente. E o quinhão de culpa dos governantes, onde fica? O prometido foi cumprido ou negligenciaram? Vê-se a repetição do desassossego e dor novamente.
Tem uma história que escutava quando criança na minha terra. Diz a fábula, que no período chuvoso urubu prometia tirar as aves daquela tormenta pela qual passavam, penduradas nos galhos das árvores buscando abrigo, encharcadas do aguaceiro. Empenhado, comovido, garantia dar-lhes casa e sossego, livrando-as do padecimento. Todos esperançosos apegavam-se à promessa dos melhores dias que iriam chegar. No entanto, assim que suspendia a chuvarada e o sol mostrava a cara com todo brilho e firmeza, urubu sumia no mundo; debandava, esquecia tudo. Só queria voar, flanar, bater asas, usufruir o melhor. O prometido deixava a Deus dará.
É isso. Repetem-se as mesmas tragédias, renovam as mesmas promessas. Aos nossos olhos um janeiro mais uma vez carregado de destruições: incessantes chuvas, tempestades, fúrias, horror, tristeza. Os verões continuam marcados pela desolação e medo. Vidas e sonhos rolam ribanceiras abaixo. Corpos, destroços, um amontoado de perdas.
Por quantas estações ainda viveremos a fábula do urubu?
