
Brisa e Faísca, que dupla! Em determinadas horas vivem a literal relação cão e gato entre latidos, miados e rosnados desferidos um contra o outro num clima de hostilidade e desafeto sem fim. Ela, nervosa fora do eixo; ele, lampeiro extravasando incessante energia. De repente, vem uma calmaria inesperada no estilo paz e ternura, deitados lado a lado, entregues ao descanso e a trégua momentânea.
Brisa é uma cadelinha lhasa mais ou menos; segundo os entendidos está mais para mistura com maltez do que lhasa propriamente dito. Sendo assim um pedigree meia boca, detalhe, apenas. Nada lhe altera a docilidade, a alegria com seus pulos e o rabo abanando euforicamente cortejando aqueles que estima. Fácil conquistá-la. Bandoleira, cativa o mundo.Também tem momentos de total rabugice latindo cismada, imaginando um companheiro em seu território pleiteando o seu espaço. Late compulsiva, perdidamente até alguém acudir aos apelos. Nutre por sua dona, minha filha mais nova, veneração das maiores numa fidelidade ímpar.
Já o Faísca, o tal Faisquinha, é um caso sério, seríssimo. Filhote de gato nos seus cinco meses aproximados. Dá para imaginar o que um gatinho nessa idade é capaz de aprontar? Cara de bonzinho e tão danadinho... Inicialmente enjeitado miando na rua, tiritando tremendo, prestes a sucumbir caiu de para-quedas aqui em casa. Não se tinha interesse em aceitá-lo, mas comoveu os moradores. Sentindo-se aboletado, bastou para exibir a peraltices que os felinos trazem naturalmente no instinto. Formas diversas de adaptação e de sobrevivência no ambiente em que vive e convive. Ágil em correr, subir, pular, caçar, despencar das alturas, esconder-se nos inimagináveis e absurdos lugares, ou acomodar-se confortavelmente às vistas de todos numa pose de bibelô sui generis. As crianças o carregam feito um mimo que ele retribui felicíssimo rorrosnando, sentindo o afago das pequenas mãos que o acariciam.
Ah, para incrementar as estripulias do Faísca descobriram o sósia do malandrinho, a semelhança não é pouca, confunde. Já o devolveram em casa várias vezes tomando-o pelo Faísca fujão, perdido e sem rumo. Acaba se tornando engraçado. Ao sósia pelo visto não agrada ser só: escapa de sua morada, foge, dribla, some vagueia para depois retornar a condição de sozinho.
De resto é esperar o tempo apaziguar a pinimba da dupla. Cada um no seu lugar sem interferir no domínio do outro. Até lá muitas águas vão rolar.
Bonito cida. Lindo texto. Saudade de você. beijos
ResponderExcluirana
Quero ir ai ver o Faisca de novo agora e ficar com a brisa pulando em cima de mim...
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ResponderExcluirMuito boa crônica!
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