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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Vila Mariana




O bairro da Vila Mariana vive uma evolução imobiliária espantosa. Comercialmente cresceu bastante. Lugares pacatos viraram uma efervescência só. Muitas moradias sucumbiram às ofertas das empresas construtoras, que num abrir e fechar de olhos erguem prédios e logo acenam com fachadas modernas criando verdadeiro chamariz atraindo compradores.

Ruas que outrora formavam fileiras de casas, jardins e tranqüilidade perderam referência com a transformação em um novo cenário feito de espigões.

Na França Pinto prédios despontam empinando-se, exibindo a imponência da especulação imobiliária, demonstrando poder a qualquer custo. A paróquia de Santo Ignácio em pouco tempo terá seus momentos de liturgia e paz perturbados, sacudidos por bate-estaca e outras inconveniências que as grandes construções acarretam ao local tirando-lhe a calma.

A Vila se estruturou bem; restaurantes, lojas, supermercados, faculdades várias e pequenos bares vão surgindo, transformando-se em points de universitários numa constante ebulição. Não deixa de ser agradável conviver nesse trecho da cidade, embora como em outros lugares desenvolveu características negativas próprias das metrópoles e centros urbanos.

Já adotei São Paulo como minha segunda terra. Paixão inquestionável, amor conquistado nos trinta anos de convivência na rotina e cotidiano, muitas vezes tumultuado, estressante, mas incorporado amavelmente a minha vida.

E nesse paradoxo escuto o bem-te-vi; com aproximação da primavera disparam a cantar forte, estridentes, como anunciando boa nova. O canto fez me lembrar um poema de Manuel Bandeira:

ANDORINHA lá fora está dizendo:

-“Passei o dia à toa, à toa!”

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!

Passei a vida à toa, à toa...

3 comentários:

  1. Sua sensibilidade retrata exatamente o que estamos sentindo com a descaracterização do bairro que tanto gostávamos e convivemos. Mais uma vez, parabéns!!!
    João Luiz

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  2. Adorei o seu post Cida,mas,tenho saudade de como era antigamente...confesso...achei um absurdo cortarem aquela árvore maravilhosa que ficava na frente da casa da minha vó na Humberto I(que agora virou uma papelaria enorme),quem se lembra dela??? Era enorme,linda e não estava com cupim,mas agora deu espaço para o cimento,que legal né???e também tem mais uma arvore que dava para vê-la nos fundos da vilinha...aquela sim,era linda,parecia que tinha vindo da África pelo formato de savana e quando tava flores,Meu Deus,era tudo...Tenho saudades dessas árvores...
    Saudades do clima de antigamente,era mais uma bairro familia e tudo muito simples,eu lembro que tinha até procissão da Igreja Santo Inácio e passava pela Humberto também,era a alegria da criançada poder acompanhar ou ver,ficavamos sentados no murinho da casa da minha vó somente observando,muito gostoso...hoje é tudo muito agitado e sem contar que aumentou bastante os crimes.Devemos todas estas transformações as faculdades ao redor...então posso concluir que a SAUDADE é a palavra exata para definir o bairro da Vila Mariana,em especial a Rua Humberto I. CAmila Bispo

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  3. Cida, querida, saudades da Vila Mariana que, pelo que vc fala, não é a mesma de 11 anos atrás quando atravessei a Dutra de volta, de vez, para o Rio. Dá dó. Outro dia saiu uma matéria no Estadão sobre o protesto de um morador contra mais uma espigão que querem erguer na Vila, bairro que aprendi a gostar em grande parte graças a vcs. Saudades, querida. Espero estar com vcs em breve. beijins, Juçara

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