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terça-feira, 24 de maio de 2011
Brisa e Faísca

terça-feira, 8 de março de 2011
Maria Firmina dos Reis

Apesar de ser considerada por alguns autores como a primeira romancista brasileira - seu livro Úrsula é de 1859 - pouco se sabe da vida desta maritalmente bastarda e negra.
Nascida em São Luís (1825-1927) disputou em 1847 uma vaga para a cadeira de professora de primeiras letras em Guimarães.
Orgulhosa com a vitória da filha, a mãe alugou um palaquins - espécie de cadeira carregada por dois ou mais escravos - para que fosse receber o documento de nomeação.
Revoltada, Maria Firmina recusou, afirmando que o negro não era animal para se andar montado nele!
Contrária a escravidão em suas atitudes, também usou os seus escritos para denunciá-la.
Acreditava que a escravidão contradizia os princípios do cristianismo, que ensinava o homem a amar o próximo como a si mesmo.
Via o escravo como uma pessoa digna, capaz de sentimentos nobres mesmo tendo vivido tantos anos sob o regime degradante do cativeiro.
Seu livro Úrsula pode ser considerado o primeiro romance abolicionista escrito por uma brasileira; colaborou ainda na imprensa local com poesias e contos; escreveu um livro em comemoração ao 13 de maio, além de ser autora de vários folguedos.
Aos 55 anos, um ano antes de se aposentar do magistério público oficial, fundou em Guimarães uma escola mista e gratuita para crianças pobres.
Como professora era enérgica, mas falava baixo e não usava castigos corporais.
Quem se lembra dela, na casa dos 80 anos, fala da velhinha negra de cabelos grisalhos, amarrados atrás da nuca, vestida de roupas escuras e sandálias.
Apesar de pobre e solteira, teve alguns filhos adotivos e inúmeros afilhados.
Faleceu cega, aos 92 anos de idade, na casa de uma amiga ex-escrava, e até hoje em Guimarães "a uma mulher inteligente e instruída chamam: Maria Firmina!"
FONTE: Morais Fº. Nascimento, Maria Firmina dos Reis: Fragmentos de uma vida. São Luis, S.C.p., 1975
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Aniversário da amiga
O regresso da jovem aconteceria em poucos dias, inquieta não cabia em si por essa espera. Tudo dava a entender que nada a segurava por mais tempo. Já não bastavam as praias a perder de vista com a sensação de liberdade sem fim; nem o mar oscilando na beleza entre o verde e azul levando a sonhar; nem o sol e o vento misturando cumplicidade poética; nem o exotismo das iguarias de dar água na boca seduzindo irresistivelmente. Ansiava chegar, ver, sentir, olhar, extasiar-se abismada (como se fosse a primeira vez) diante da metrópole que exala o bem e o mal.
Coincidência ou não o retorno aconteceu no exato dia do seu aniversário. A mesa arrumada oferecia variedades diversas. Cerveja de prontidão geladinha era promessa de uma noite festiva. A recepção pegou-lhe de surpresa. Ausente somente o indispensável bolo, por enquanto, porque a toda hora alguém alardeava: - Tá chegando, tá chegando...
Criava expectativa, despertava risadas. No zum, zum,zum das conversas todos falavam, o que não faltavam eram palpites e palpiteiros. Diante da informalidade, nada mais natural naquele momento que a descontração entre amigos. Determinada hora chega um rapaz com cara de emissário compenetrado, vai até a cozinha e solta o recado: "Estou aqui para avisar que o bolo não vai demorar, aliás, está nos últimos retoques da cobertura. Tem mais, traz uma surpresa de cair o queixo." Pronunciou-se feito mensageiro e partiu. "Êpa, o que será?" Murmurou alguém entre os dentes. Outra voz levantou-se: "Ah, essa surpresa me deixa de orelha em pé, desconfio que... " Calou-se. O comentário deixou um suspense rondando. A aniversariante simplesmente gargalhou, sentia-se feliz e ponto final.
A moça encarregada do preparo do bolo era veterana em salgados e doces, competente na culinária, verdade seja dita. Às vezes improvisava criando novidade, alternativa experimental, tentando redescobrir outros sabores, angariando clientes. Sendo amiga da aniversariante podia se esperar o mais bonito, o mais caprichado, o mais saboroso bolo. De antemão nada podia ser colocado em cheque.
A noite, embalada pela temperatura de um outono quente dos melhores, contribuía para esquecer o carrancudo inverno prestes a dar as caras e trazer no seu rastro frente fria, massa polar, céu cinzento, semblantes sisudos... O jasmineiro ao lado da porta exibia dupla vaidade: flores e aroma recepcionando quem chegava. Cheiro gostoso agradando a todos.
Enfim a moça adentra abraçada ao bolo. Animada, animadíssima, desculpou-se e num palavreado breve sem arroubo dirige-se à aniversariante: " Amiga maravilhosa, os cristais decorando o bolo são talismãs carregados de bons fluídos, energia positiva, sorte e... " não concluiu. Estalaram palmas, fiu-fiu para todo lado, parabéns em coro cantado, gritado e tudo que aniversariante tem direito em dia de comemoração. Os primeiros pedaços são servidos a dois amigos curiosos, ansiosos e foram eles a escancarar em alto e bom tom:
- O bolo é puro sal. Não dá pra encarar!
Impacto. Gargalhadas aos montes. Interrogações. Cada um beliscava o bolo, tirava lasquinha, opinava. As suposições eram as mais esdrúxulas: alquimia, energia cósmica e até sortilégio atribuíram ao mal sucedido bolo. Os cristais rebaixados a mera condição de sal grosso provocaram estrago pra valer. O bolo não passava de uma salina, impossível de degustar. Permaneceu assim mesmo no centro da mesa, simbolicamente.
A moça, pasma, perdeu-se nas explicações. Titubeou, embaralhou-se, tentou outro discurso, falhou, não convenceu. Apelou e numa última tentativa tascou o popular chavão: "Nada a declarar". Cessou o rebuliço, as especulações, a festa retornou animada de um entusiasmo salgado e esfusiante.
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Rebeldia

Diariamente o barulho forte do rock paulera tomava conta da casa, tumultuando os ouvidos e a concentração dos que desejavam descanso. O vinil rolava à vontade no aparelho de som, tocando músicas que davam maior ênfase à rebeldia. Entre várias sobressaía aquela em que papai Noel perdia toda a aura de bom velhinho, sendo desclassificado aos berros: "Papai Noel, velho batuta, porco capitalista...'' Era a mistura punk e anarquista da contestação, ousadia, protesto, despertando curiosidade e admiração no adolescente.
Caracterizava-se a rigor para as festas: moicano, coturno, roupas extravagantes e alfinetes estilizando o figurino. Mas nem só de aparência vivia o jovem, ao contrário, procurou ler a origem do movimento punk, assim como foi buscar também na leitura a vida de Bakunin, sua teoria e concepção sobre o movimento anarquista. Logo, argumentava embasado em um conhecimento que fazia parte da história dos movimentos sociais surgidos em vários lugares do mundo.
Um dia o adolescente surpreendeu. Em vez da frequente barulheira que irrompia, surgiu um tranquilo som passeando pelo ambiente, resgatando a serenidade musical com uma melodia agradável que dava gosto escutar: "Tarde em Itapuã" de Vinicius de Morais.
Mostrava-se evidente, o início de uma nova fase aguçando novas descobertas, instigando outros questionamentos, revendo comportamentos e atitudes inerentes à adolescência.
Do punk ao anarquismo algo de positivo ficou.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Os aguaceiros

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Carga Pesada

domingo, 12 de dezembro de 2010
O Prosador
