
A fazenda era extensa, a perder de vista, com suntuoso sobradão erguido em meio a paisagem bucólica formada de matas, rios; conduzindo ao sossego e contemplação. A capela, ornada com imagens do barroco, dava mais uma mostra da ostentação que pairava naquele lugar.
Morava ali um dos últimos herdeiros, uma senhora descendente de portugueses, que acumularam vasto latifúndio para aquelas bandas: muita terra, grande fortuna, tamanha exploração. Remanescentes de escravos viviam ainda sob o jugo da obediência serviçal, sem voz e sem vez.
Periodicamente, a senhora visitava a cidade no intuito de respirar novidades. Léguas, quilômetros distanciavam a fazenda até lá. Um percurso difícil, torturante para os que a carregavam deitada na rede. Bem arrumada, estendia-se a gorda senhora com pompas e jóias, enquanto os quatro negros com força e sacrifício revezavam-se levando nos ombros a pesada carga e uma escravidão que para eles ainda continuava.
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