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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Rebeldia


Diariamente o barulho forte do rock paulera tomava conta da casa, tumultuando os ouvidos e a concentração dos que desejavam descanso. O vinil rolava à vontade no aparelho de som, tocando músicas que davam maior ênfase à rebeldia. Entre várias sobressaía aquela em que papai Noel perdia toda a aura de bom velhinho, sendo desclassificado aos berros: "Papai Noel, velho batuta, porco capitalista...'' Era a mistura punk e anarquista da contestação, ousadia, protesto, despertando curiosidade e admiração no adolescente.

Caracterizava-se a rigor para as festas: moicano, coturno, roupas extravagantes e alfinetes estilizando o figurino. Mas nem só de aparência vivia o jovem, ao contrário, procurou ler a origem do movimento punk, assim como foi buscar também na leitura a vida de Bakunin, sua teoria e concepção sobre o movimento anarquista. Logo, argumentava embasado em um conhecimento que fazia parte da história dos movimentos sociais surgidos em vários lugares do mundo.

Um dia o adolescente surpreendeu. Em vez da frequente barulheira que irrompia, surgiu um tranquilo som passeando pelo ambiente, resgatando a serenidade musical com uma melodia agradável que dava gosto escutar: "Tarde em Itapuã" de Vinicius de Morais.

Mostrava-se evidente, o início de uma nova fase aguçando novas descobertas, instigando outros questionamentos, revendo comportamentos e atitudes inerentes à adolescência.

Do punk ao anarquismo algo de positivo ficou.

2 comentários:

  1. Talvez, por trás dessa transição apresentada na crônica sob forma de mudança (que era ampliação e também resgate) do gosto musical houvesse algum lirismo (amoroso? idílico?) ocupando a vida daquele adolescente de 15, 16 anos em meados dos anos 80. Ele não foi tão incoerente ao escolher Vinícius de Moraes, que paulatinamente trocou os potocolos do Itamaraty por uma boemia anárquica e hiponga.

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  2. Talvez, por trás dessa transição apresentada na crônica sob forma de mudança (que era ampliação e também resgate) do gosto musical houvesse algum lirismo (amoroso? idílico?) ocupando a vida daquele adolescente de 15, 16 anos em meados dos anos 80. Ele não foi tão incoerente ao escolher Vinícius de Moraes, que paulatinamente trocou os potocolos do Itamaraty por uma boemia anárquica e hiponga.

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