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segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Reflexão na cozinha





Pratos, panelas, talheres, fogão, tudo disposto na minha frente repetindo esse cotidiano banal de dona de casa. Entro na cozinha, essa parafernália quase me leva ao desânimo total. Salva-me, no entanto, o mural da mulher logo ali na parede retratando preconceito, violência, luta e conquistas ao longo do tempo. Informação misturada ao estridente som da panela de pressão e o barulho da água na lavagem das louças.

Corro os olhos novamente no canto, releio um célebre conceito de Simone de Beauvoir:

“Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam de feminino.”

Convincente, atual, racional, Retorno à condição de “doméstica” de igual para igual.

S.Paulo, 1995

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