
Apesar de ser considerada por alguns autores como a primeira romancista brasileira - seu livro Úrsula é de 1859 - pouco se sabe da vida desta maritalmente bastarda e negra.
Nascida em São Luís (1825-1927) disputou em 1847 uma vaga para a cadeira de professora de primeiras letras em Guimarães.
Orgulhosa com a vitória da filha, a mãe alugou um palaquins - espécie de cadeira carregada por dois ou mais escravos - para que fosse receber o documento de nomeação.
Revoltada, Maria Firmina recusou, afirmando que o negro não era animal para se andar montado nele!
Contrária a escravidão em suas atitudes, também usou os seus escritos para denunciá-la.
Acreditava que a escravidão contradizia os princípios do cristianismo, que ensinava o homem a amar o próximo como a si mesmo.
Via o escravo como uma pessoa digna, capaz de sentimentos nobres mesmo tendo vivido tantos anos sob o regime degradante do cativeiro.
Seu livro Úrsula pode ser considerado o primeiro romance abolicionista escrito por uma brasileira; colaborou ainda na imprensa local com poesias e contos; escreveu um livro em comemoração ao 13 de maio, além de ser autora de vários folguedos.
Aos 55 anos, um ano antes de se aposentar do magistério público oficial, fundou em Guimarães uma escola mista e gratuita para crianças pobres.
Como professora era enérgica, mas falava baixo e não usava castigos corporais.
Quem se lembra dela, na casa dos 80 anos, fala da velhinha negra de cabelos grisalhos, amarrados atrás da nuca, vestida de roupas escuras e sandálias.
Apesar de pobre e solteira, teve alguns filhos adotivos e inúmeros afilhados.
Faleceu cega, aos 92 anos de idade, na casa de uma amiga ex-escrava, e até hoje em Guimarães "a uma mulher inteligente e instruída chamam: Maria Firmina!"
FONTE: Morais Fº. Nascimento, Maria Firmina dos Reis: Fragmentos de uma vida. São Luis, S.C.p., 1975





