Hotwords

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

QUE CALOR !



A alta temperatura deste verão extrapolou os limites até então registrados há décadas por aqui. A cidade parece saturada também pela ausência de chuva que não chega para aliviar a atmosfera, e o assunto não sai da pauta. A procura pelos ventiladores surpreende as vendas deixando lucro recorde para o comércio.

Ao amanhecer o sol já escancara o fulgor de seus raios; do trono majestoso expande sua beleza incandescente e tórrida chegando ao ápice do calor abrasador.

Nada mais natural eu ser adepta do verão, oriunda que sou da terra do sol cercada de mares e vento assoviando nos coqueirais, mas reconheço que a estação anda abusando no excesso das temperaturas de dígitos elevados provocando desconforto. Surpreendo-me também a reclamar, engrossando o coro dos encalorados, pedindo trégua para  que o verão deixe por menos.

Não chove, não venta, nada refresca senão o vento artificial que gira, roda, soprando do incansável ventilador. Porém, optar entre o inverno tedioso e sombrio, carregado de massa polar e este inconsequente clima, sem vacilar entrego-me calorosamente a ele, o calor do verão.



quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Ano Novo

       

             O Ano Novo rompe esfuziante entre comemorações, músicas e cascatas de fogos flutuando, deslizando no céu com  leveza mística inspirando votos de paz e amor fraterno sobre a humanidade. 

             O nascer do Ano Novo projeta  sonhos, renova expectativas, fortalece o otimismo e a  esperança desponta animadora tomando a dianteira como estrela guia das nossas vidas. A alma e o corpo, ambos em ebulição e efervescência revigoram-se envolvidos pela aura e clima do simbolismo que domina essa festa de tamanho significado na face da Terra .

               Seja verdadeiramente  de paz  e esperançoso o Ano Novo que já iniciou; que seja partilhado de solidariedade e justiça social.

               Um Ano Novo feliz a todos ! Saúde, vida próspera !

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O madrugador

 
O Sabiá-laranjeira é o arauto da primavera. Reaparece polivalente e feliz como prenúncio da estação florida, espalhando sua cantoria pela cidade. Dispara ainda na madrugada: pontual no horário, afiado na melodia vai quebrando o silencioso alvorecer e cativa meus ouvidos.

  Canta estufado de regozijo, apaixonado, desejoso para cortejar a bem amada; ou num desafio valente rivaliza com o adversário pelo domínio de território. Para o amor ou para a luta convence na condição de exímio cantador. Nos dias de pleno gozo, desvela-se à exaustão. Canto que não deixa  de ser também acalanto.

         Acham alguns o Sabiá-laranjeira madrugador inoportuno, que com seus intensos e inconvenientes gorgeios estorva o sossego daqueles que desejam ainda prolongar-se no sono. Francamente,  quanto agrada-me ouvi-lo! Sonoridade melódica vibrando bons fluidos, saudação... algo bom iniciando-se no amanhecer.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Outonando

     Mais um céu azul, cativante envolvendo bons sentimentos. Início de outono assumindo seu posto no comando da estação. Sol brilhante, um vento alvoraçado sopra a brejeirice, sacode folhas, despenteia cabelos, corre longe e, de repente, retorna ao mesmo destino. Em disparada se afasta para surpreender outra vez.

   Nas caminhadas, viro andarilha, exercício para o corpo que disciplina e afaga anseios. Andante, vago, erro por lugares diversos. Ruas paradas, becos calados, passagens de pedra. Disperso-me, desperto com o rebuliço das maritacas em vôos assanhados.

    Outono, outonando nuances e  cores; folhas esvaem-se, outras mais nascem.  Temperatura amena  entremeia a estação. Sol, frio constrói dias lindos.







quarta-feira, 1 de maio de 2013


Meu Maio

A todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado,
A todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua –
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário –
Este é o meu maio!
Sou camponês - Este é o meu mês.
Sou ferro –
Eis o maio que eu quero!
Sou terra –
O maio é minha era!

                    
Vladimir Maiakovski

terça-feira, 2 de abril de 2013

A SECA NO SERTÃO

       
           Enquanto no sertão nordestino a seca deixa os açudes sem água, dizima a lavoura, mata o gado de sede e fome cravando dor e lamento no peito do sertanejo -  mulheres e homens de resistência  ímpar - para os lados de cá temporais despencam com abundância alarmante, provocando enchentes,   desabamentos e tragédias que juntam-se a outras tantas. Velhos problemas mal resolvidos ou nunca solucionados pelas autoridades públicas.       
        O sertanejo amparado pela imensuravel fé apega-se às novenas. Reza ladainhas, mistura crenças, louvor, súplica. Clama aos céus agregando esperança e coragem à faina diaria.Caminha incessante pela aridez da caatinga entre espectros da vegetação torrada pelo sol abrasador. Sai à procura de rastros de água: turva, suja, qualquer que seja tem serventia.
      Deposita em São José, protetor dos trabalhadores, enorme expectativa: se a chuva cair no dia do santo devoto é o sinal abençoado que dai em diante mais águas irrigarão a terra,  suficiente para a lavoura vingar, assegurar a colheita do ano. Logo milho, feijão, macaxeira, arroz, jerimum, batata-doce, maxixe, quiabo irão verdejar, florescer no minguado roçado. Alivio temporário a estender-se por alguns meses.
      O sertanejo é conhecedor nato da região onde vive. Observador perspicaz é profético. Atento às variações da natureza, a sinais e mutações que podem ou não trazer-lhe alento, dificilmente falha nesse aprendizado adquirido às custas do sofrimento.