Enquanto no sertão nordestino a seca deixa os açudes sem água, dizima a lavoura, mata o gado de sede e fome cravando dor e lamento no peito do sertanejo - mulheres e homens de resistência ímpar - para os lados de cá temporais despencam com abundância alarmante, provocando enchentes, desabamentos e tragédias que juntam-se a outras tantas. Velhos problemas mal resolvidos ou nunca solucionados pelas autoridades públicas.
O sertanejo amparado pela imensuravel fé apega-se às novenas. Reza ladainhas, mistura crenças, louvor, súplica. Clama aos céus agregando esperança e coragem à faina diaria.Caminha incessante pela aridez da caatinga entre espectros da vegetação torrada pelo sol abrasador. Sai à procura de rastros de água: turva, suja, qualquer que seja tem serventia.
Deposita em São José, protetor dos trabalhadores, enorme expectativa: se a chuva cair no dia do santo devoto é o sinal abençoado que dai em diante mais águas irrigarão a terra, suficiente para a lavoura vingar, assegurar a colheita do ano. Logo milho, feijão, macaxeira, arroz, jerimum, batata-doce, maxixe, quiabo irão verdejar, florescer no minguado roçado. Alivio temporário a estender-se por alguns meses.
O sertanejo é conhecedor nato da região onde vive. Observador perspicaz é profético. Atento às variações da natureza, a sinais e mutações que podem ou não trazer-lhe alento, dificilmente falha nesse aprendizado adquirido às custas do sofrimento.
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