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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Os aguaceiros

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Carga Pesada

domingo, 12 de dezembro de 2010
O Prosador

sábado, 30 de outubro de 2010
Na rua de blusa amarela
Bandeiras, faixas, músicas, espalhavam-se por toda praça e manifestações corriam o país inteiro. Sopravam bons ventos, um sinal de tempo novo fazia-se vir. O tempo era então das Diretas Já.
Coragem, determinação pulsavam firme no coração e empenho da União de Mulheres de São Paulo. Destemida, atuante, sempre na linha de frente das lutas mobilizava-se mais uma vez nessa arrancada que sacudia o país. A praça Ramos de Azevedo tornava-se referencial, ponto de encontro das mulheres empenhadas nesse novo contexto político; ali fervia o entusiasmo e a paixão pela causa: passeatas, cartazes, panfletos, botons, camisetas. Palavras de ordem desfilavam ante os olhos de simpatizantes, observadores e curiosos. Otimismo dominava naquele ambiente cívico desejoso de transformação. O microfone funcionava em clima de tribuna livre, espaço democrático a todos ansiosos de expressar idéias e sentimentos.
Forasteiro

Surgia do nada, inesperadamente. Errante, maltrapilho, sujo, um abandono só. Ele ria, o riso desandava em risada macabra escancarando os dentes afiados. Resmungava, blasfemava.
Léguas e léguas a pé. Lá um dia chegava, se aboletava em chão vazio ou alguma casa abandonada. Desconhecia a si próprio, realidade com que convivia. Respondia tão somente, sinsinhô. E passou a ser apenas “Sinsinhô”. Como num ato de obediência balançava a cabeça num gesto contínuo. E a risada atemorizava.
À noite, diante do fogo em labaredas tamanhas, abismado, imolava o destino, sina, vida, tudo que não mais entendia. Exorcizava a si próprio tomado inteiro pela loucura; maldito, doido totalmente, banido, fora do mundo real.
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Meus filhos
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Discurso
Decididamente não me apaixono mais. Assim concluí depois de refletir e analisar prós e contras. No entanto, surpreendo-me rompendo essa prolongada estiagem sentimental, recebendo por inteira a paixão que me chega aberta, sem meio termo, concreta. Iniciação de um novo amor. Paixão incontida, explícita, declarada em um livro como presente:”Fragmentos de um discurso amoroso”. Preciosidade literária tocando em cheio a minha fragilidade emotiva. Embarco nessa reciclagem da vida, renovo o espírito, refaço sonhos, projetos, banho-me na imaginária fonte da juventude, respiro o novo, vivo a cumplicidade de tudo. O relacionamento se mostra bonito: gesto, olhar, carinho; dose certa inspirando versos, frases, intensidade no amar. Tudo fugaz, veloz e também atroz.
Em pouco tempo, discordância de valores, disparidade nos conceitos me faz enxergar uma pessoa camuflada, voltada para si, que só blefava. O racional mostra que somos tão antagônicos como o dia e a noite. Só o entusiasmo da paixão nos unia, mas não me bastava e não era isso que daria estabilidade emocional. Quero cabeça e corpo em sintonia.
Deixo-o, saio sorrateira, ilesa, impossível, mas estou inteira. Viajo na imaginação e concluo novamente: decididamente não me apaixono mais. Será?
S.Paulo, outubro de 1995
