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quinta-feira, 7 de março de 2013

Números da epidemia!




Dados mostram o impacto social e econômico da violência contra a mulher no mundo
7 em cada 10 mulheres no mundo passarão por algum episódio de violência física ou sexual ao longo da vida.

Nos Estados unidos a violência doméstica custa US$ 5,8 bilhões por anos aos cofres públicos.

Entre 1980 e 2010 92 mil mulheres foram assassinadas no Brasil, 43,7 mil somente na última década.

O País ocupa a posição no ranking de países com maiores índices de homicídios femininos no mundo.

O disque 180 da Secretaria de Políticas para as Mulheres recebeu  389 mil ligações em 2012 – um número 32% maior que o registrado em 2011.

47 mil vítimas de violência física foram atendidas no sistema público de saúde em 2011.

13 mil foram vítimas de estupro


PROTEGIDAS PELA LEI
O Brasil, a Espanha e a Mongólia possuem as legislações mais avançadas sobre violência contra a mulher, apesar de sua aplicação integral ainda ser alvo de críticas. Segundo a ONU Mulheres, 125 países possuem leis contra a violência doméstica, mas apenas 52 dispõem especificamente sobre a agressão conjugal.

LEI DE MEDIDAS DE PROTEÇÃO INTEGRAL CONTRA A VIOLÊNCIA DE GÊNERO - Espanha 2004
Define a violência de gênero como todo ato de violência física e psicológica, incluindo agressões à liberdade sexual, ameaças, coações ou prevenção arbitrária da liberdade. Reconhece a violência contra a mulher como fruto da situação de desigualdade entre gêneros.
Enfatiza responsabilidades do Estado na educação, na regulação da publicidade e no treinamento dos agentes públicos.
Garante direitos econômicos às mulheres agredidas, assim como um abrigo. Prevê até um ano de prisão para agressores.


LEI DE COMBATE À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA  -  Mongólia 2004         
·        Define violência doméstica como um ato que viole a liberdade e os direitos humanos e que cause ou ameace fazer mal a um membro da família
·        Obriga as autoridades policiais a acolherem denúncias, visitarem o local das agressões e providenciar abrigo às vítimas.
·        Aos agressores, prevê sanções como expulsão do lar e perda da guarda dos filhos. Também institui um treinamento compulsório para mudança de comportamento.


LEI MARIA DA PENHA - Brasil 2006 
·        Define violência contra a mulher como qualquer ação ou omissão baseada no gênero que provoque morte, lesão, sofrimento físico, sexual, psicológico e dano moral ou patrimonial.
·        Enfatiza a integração das esferas governamentais e aborda a importância da educação e da responsabilidade dos meios de comunicação.
·        Garante o direito de afastamento da mulher do trabalho por até seis meses. As denúncias só podem ser retiradas diante do juiz.
·        Prevê até três anos de prisão para os agressores.

(texto transcrito da Revista Isto É, março,2013)

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Folia




     A praça principal da cidade transformava-se no reduto do Momo, entrosamento perfeito entre blocos, mascarados, fofões, tambor de crioula e dança do congo. Ritmos populares combinavam-se com marchinhas, sambas, marcha-rancho; cantigas folclóricas misturadas à frenética alegria que jorrava dos foliões nos quatro dias intensamente carnavalescos e participativos.
     O salão do baile era colorido, decorado por mãos engenhosas que criavam formas alegóricas de papel crepom, dando um toque animador e convidativo para festejar. Confete, serpentina e lança-perfume cruzavam-se em um clima de romantismo; flertes e namoros pairavam entre os casais. A orquestra afinadíssima com os sucessos do momento emendava pout-pourris de tirar o fôlego dos dançantes; pelas fantasias buscava-se surpreender com os modelos e a originalidade.
    O tempo fluía célere, e imperceptível passavam os quatro dias. A terça-feira irrompia com cara de despedida; à meia noite os músicos sinalizavam o fim do baile ao som do nostálgico Zé Pereira. Minutos prolongavam-se e os foliões resistiam até extinguir o último acorde do último instrumento musical. Assim finalizava definitivamente o carnaval. Com a quarta-feira de cinzas abrindo o ciclo da quaresma, a pequena cidade retornava a sua vida pacata.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Parabéns, São Paulo!


     Comemorações reverenciam esta cidade no feriado de 25 de janeiro, marco da fundação. São Paulo cosmopolita, de povos e etnias que formam com seus descendentes a parte migrante da população que continua a contribuir com relevância na formação da terra miscigenada, que se divide e subdivide em vários e muitos mundos.
     Cercada pelas tecnologias modernas que caracterizam as desenvolvidas metrópoles somando  benefícios,  estresse,  vícios e males, descobre-se ainda, o lado humano na urbanidade que agrega, acolhe e junta,  na qual é possível criar vínculos fraternos de sólida amizade.
     Uma selva de arranha-céus transbordando prédios, construções para todo canto, onde, contudo, encontra-se ainda o oásis das pequeninas vilas  com suas fileiras de casas arborizadas guardando o bom e desejado sossego. Particularidade de hábito interiorano que surpreende, gratifica.
     Amo São Paulo, amor declarado, escancarado, minha segunda terra. Aqui fortaleci convicções, tomei consciência da cidadania;  onde me sinto prazerosamente acolhida neste espaço de múltiplas facetas de loucos e admiráveis contrastes

domingo, 30 de dezembro de 2012

Boas festas

Onde houver amor Deus aí estará (Tolstoi)

Feliz Ano-Novo!!! 

Saúde, Paz, Prosperidade a todos.


sábado, 22 de dezembro de 2012

Natal

          
Um silêncio solene caminha pela casa ornamentada para a celebração natalina. Silêncio de plenitude contemplativa despertando sentimento místico, inspirando outros bons e puros. Diante do presépio a simbologia do Menino Deus na manjedoura, louvado pelos reis magos Gaspar, Baltazar, Melquior. Guiados por uma estrela de intenso fulgor viajaram até Belém na Judéia para ofertar mirra, incenso e ouro ao Messias, o Salvador. Assim reza a tradição do Cristianismo.

          Vê-se a árvore erguida, paramentada com roupagem de brilho multicor cheia de bolas, fitas, luzes estilizadas com múltiplos acessórios que a revestem para a mística do Natal.  Curto esse período latente em mim, resquício que remonta a sonho pueril de uma cidade pequena onde a liturgia da missa do galo era a essência de maior relevância, celebrada entre os ritos e cânticos gregorianos num encantamento de beleza etérea.

          A silenciosa paz confortante não se detém longamente, logo é sacudida por acordes de um papai Noel estiloso, vanguardista solando no sax notas de rock’n roll e ritmos modernos do pop internacional. Ligando o botãozinho ele deslancha a tocar compulsivamente.

          Lá fora o burburinho das compras continua acelerado. São exibidos atrativos pra todo feitio e gostos, opção que não dá para ignorar, que induz a gastos em excesso num tempo recorde de louca agitação. É o comércio festivo se beneficiando com lucros que superam os demais eventos tradicionais

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Samba-canção, bolero e dor de cotovelo

   
      Lançado no mercado de publicações uma estilosa e completa biografia de Dolores Duran, preciosidade para o deleite de admiradores, nos quais me incluo, debruçarem-se sobre relatos, fotos e  histórias da cantora. Registro de uma época próspera em que predominava o samba-canção e bolero, ambos de beleza e estilo musical refinado.

     O amor era personagem essencial nos anos cinquenta, passeava pelos versos carregados de melancolia e paixão. Amor platônico, solitário, dilacerado. Intérpretes cantavam com  emoção aflorada tocando corações tristonhos em abandono; boêmios exauridos pelo excesso e desilusão; namorados enebriados de romantismo. Amores desfeitos, amores proibidos,  sussurrados, segredados à meia luz das boates e bares noturnos. A música chamada dor de cotovelo circulava ambientada nesse convívio sentimental no universo da utopia. O amor idealizava-se na perfeição, lírico e infinito. Pessoas amavam com louca e apaixonante entrega, amarguravam-se desesperadamente. Na partilha de sofrimento o quinhão maior ficava  com a mulher.

     Dolores Duran, um ícone da época, iniciou precocemente a carreira aos dezessete anos, precisando adulterar a idade para trabalhar na noite como crooner da mais luxuosa e imponente casa de shows do Rio de Janeiro dos anos quarenta e cinquenta, a boate Vogue, localizada na lendária Copacabana. Chamava-se Adiléia da Silva Rocha, carioca nascida em sete de junho de 1930. Talentosa, genial, com influencia jazzística, também cantava fluente em vários idiomas; logo cedo conquistou o reconhecimento dos músicos mais exigentes. Compondo sozinha ou em parceria deixou clássicos que enternecem como a poética " A noite de meu bem": 

"Hoje eu quero a rosa mais linda que houver 
quero a primeira estrela que vier  
para enfeitar a noite de meu bem... "  

Em "Fim de caso" cantou o amor em desencanto: 

"Eu desconfio 
 que o nosso caso está na hora de acabar
 há um adeus em cada gesto em cada olhar 
 mas nós não temos é coragem de falar..." 

Celebrou a beleza da vida em "Estrada do sol":

 "É de manhã 
 vem o sol mas os pingos da chuva que ontem caiu 
 ainda estão a brilhar 
 ainda estão a dançar 
 ao vento alegre que me traz esta canção..." 



      A intensa vida que levava comprometeu a saúde fragilizada desde a infância por um sopro no coração, que exigia cuidado e rotina moderada. Em 24 de outubro de 1959 chegou da boate para o descanso já em dia claro. Queria dormir bastante, e frisou em tom de brincadeira para a empregada que iria dormir até morrer. Um colapso cardíaco a levou na juventude dos 29 anos. Outros grandes intérpretes do samba-canção marcaram esse período: Nora Ney, Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Maysa e Antonio Maria, dentre outros. Dolores Duran teve uma vida curta e fugaz. Marcou gerações influenciou com seu estilo de compositora e intérprete imortalizando-se no imaginário de todos.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Tempo de flores


    No início desta primavera as  temperaturas geladas mudaram o visual do clima com aspecto de um inverno de rigor excessivo . No Sul, em  vez de flores uma neve fina salpicada pelos campos esbranquiçou a vegetação, criou moldes e desenhos com forma típica de paisagem fria, cinzenta, descolorida.

      Para os lados paulistanos a situação climática não foi diferente. Termômetros desceram  pra valer, e quanto! A garoa  intercalava desconforto com um vento desnorteado, estabanado, que acelerando em todas as direções  fustigava as pessoas aumentando a sensação de frio desolador.

       A chuva se apresentou discreta: molhou a terra, banhou as plantas, limpou superficialmente impurezas da atmosfera. Lavou o asfalto, deixando-se escoar entre ralos e galerias pluviais para desembocar em outros recantos. Renovou a vida.  

   Na rua predominou o figurino eclético, cada qual  agasalhou-se como pôde. Casacos pesados e acessórios diversos, de cor, tamanho,beleza e esquisitice deram suporte e aquecimento ao corpo. Primavera é uma estação de transição, afirmam  meteorologistas, logo sujeita às instabilidades, variações, mudanças e oscilações do clima. Eu diria este frio tratar-se de um disparate fora de época a desestabilizar a temperatura.  Presto minha reverência à Primavera, à beleza atraente das flores exóticas, singelas, enigmáticas e sedutoras.